segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A gente luta para tentar impressionar tudo aquilo que queremos, mas as vezes, nos perdemos dentro de nós mesmos. Com o tempo as palavras se entortam, perdem seus significados, suas virtudes, seu carisma. Nem a maneira mais curta, mais bonita, mais explosiva que se possa imaginar, vão conseguir preencher o suficiente, muito menos o vazio que uma página em branco deixará sobre minha mesa.
Os poemas que escrevemos, devem ser destinados a vida e somente a vida, nela teremos a nossa única chance de sermos ouvidos e compreendidos. Seja agora, ou daqui cinco mil anos, independente de quando, eu ainda poderei voltar, mesmo sabendo, que não escrevo nada demais.  

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sobre os papéis e as canetas sem tinta

Chega uma hora em que tento escrever
e não consigo, acabo pensando
- estou arruinado novamente
foi tudo embora em um piscar de
olhos, e então...
tudo volta
como rojões de ano novo
e as tristezas caem sobre os papéis
Mas é bem menos pior do que antes.
agora os olhos conseguem ler friamente,
não sentem mais emoções supérflua,
não se abalam com promessas, nem
esperanças fora da perspectiva,
e muito menos
brilham feito bobos para qualquer coisa.
já sabem,
que o jogo
começa e acaba.
e se as coisas começarem a piorar daqui pra frente
não será tão diferente do que um dia já foi.
Chega uma hora
que você fica até feliz
por saber que consegue viver sem
a pessoa
que você julgava nunca conseguir viver sem.
Posso deixar as pedras rolarem sobre as montanhas,
vida foi feita para ter um fim.





quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Flerte

Vai chegar um ápice de momento
em que você
começará a passar por relapsos
de memórias
incubadas
E seus pensamentos,
sobrevoam todas a plenitudes de seu passado
lembrando as melhores sensações de sua
infância
e
sobre o som de uma música
em um rádio velho,
te fará despertar
essa sensação ampla e nostálgica,
estufará então teu peito
e você vai sorrir!
com teus olhos se entupiram de lágrimas
e será uma sensação estranha. inexplicável.
e maravilhosa.
do qual você perceberá que a
vida nunca teve
seu real sentido,
mas isso não importará naquela conjuntura
pois tudo parecerá tão belo
e
ao menos naquele instante,
viver
terá valido a pena.




domingo, 13 de setembro de 2015

Todas as estrelas que só nos vimos em uma noite nublada

E então, da ultima vez que te vi por aqui
Estava tão irradiante que
teus lábios gotejavam a saliva
sobre o tom de seu batom vermelho
e seus olhos combinavam tanto
com a cor
daquele céu,
enquanto teu abraço servia,
para aquecer
qualquer alma
morta
que estava por perto
e então.
foi tão
revigorante
que em um estralo
o dia passou
o sol se foi
a noite se colocou
e em meio
a tantos desejos
de uma conexão única
do qual
nunca vai existir
nada igual.

mas, optamos
por parar
aquela noite.
Estava acabado
mas ninguém
estava infeliz.
Algo estava ali
e iria bem além do que eu
e você
podíamos
entender.



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Afasia

Eu gostaria que minha poesia soasse alto agora
em seus ouvidos, nesta noite
Mesmo sabendo,
que você pode estar em qualquer canto desta terra,
e deve estar bem
eu sei.
Com pessoas muito mais impressionantes
do que eu,
E eu sei também,
que nunca fui capaz de lhe deixar bem de verdade
que nunca consegui escrever coisas que lhe deixassem
realmente
feliz.


Nunca tive coragem de levantar daqui e te mostrar o mundo,
como eu também,
queria ver,
me desculpe.
Escrevi minhas linhas, sobre tuas páginas e...
mesmo assim, nunca fui objetivo o suficiente;
nunca consegui dizer quanta importância você tem,
Só consigo expressar agora, quanta falta você me faz agora.


nunca talvez poderei dizer isso novamente
mas o que eu posso garantir
é que não escrevo
para multidões
nem para os palcos iluminados
eu escrevo para você
e só você.


Tem dias que o sol demora pra se pôr.
Desculpe-me por não ter conseguido ser,
tudo aquilo
que eu
quis ser.


E agora eu continuo aqui, desintegrando-me aos poucos
de tanto esperar
olhando para o teto,
para as paredes rachadas,
para os quadros e esperando
um telefonema
uma mensagem
um som, um sinal de vida.
Que eu já sei,
que nunca vai chegar.





sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A raiz

Como uma flor murcha
depois de uma longa tempestade
permanece murcha
até que
seja
revitalizada
injetada em sua própria raiz

E assim
a esperança
de reviver
o inconsciente
aumentará
a cada instante

e agora
mesmo no fim
peregrinando
sobre os túneis
escuros
e sujos

vejo
através de uma fresta
uma luz
bem
no fim do túnel
esperando
para explodir em minhas vistas
quando eu alcançá-la.

Sei que está cada vez mais perto
eu prometo que
não vou
apagá-la
outra
vez,
e após o inverno,
cobrirei as cicatrizes
expostas
em tatuagens
Até porque
todo setembro,
acaba em primavera.






quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Páginas rasgadas de um calendário desatualizado.

Finalmente um dia frio,
Como se estivesse programado
no calendário, pois
estou acostumado que nessa data,
o dia seja repleto de chuva.

Acho que é algo destinado,
a ser,
sem poder alterar o fluxo dessas nuvens,
mas talvez um sinal,
para que eu possa lavar minha alma de uma vez.

Mas quando a coisa está destinada a te machucar,
ela vai.
Mesmo que você não espere por ela,
mesmo que tudo esteja tranquilo,
mas de alguma forma,
algo virá para fazer com que seu coração,
sangre um pouco mais
no dia em que você tenta se resguardar,
um pouco mais, de todos os males,
que teoricamente está conseguindo
se esquivar.


Talvez se eu pudesse me mudar,
fugir e não mais voltar
seria melhor.

Se eu pudesse voltar no tempo, teria optado por outro caminho,
mesmo sabendo, que os caminhos que eu deixei de ir
não significam que seriam melhores,
Lá eu também encontraria,
todas as tristezas que deixei viver.
Por ter optado,
ter ficado,
desse lado.


Sorria,
em meu dia, o sorriso não é meu.