quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Nada de mau nos acontecerá.

É época de natal
logo mais
as pessoas vão se reunir para comer,
e se presentar.
mas boa parte,
boa parte continuará andando
pelas ruas procurando
aonde
largou parte
de sua vida,
e aonde estão agora
as pessoas que um dia lhes davam presentes.

e vão certamente
sentar na mesa de algum bar que estiver aberto
pedir um drinque para festejar
deus sabe lá o que
mas todos estão bêbados, então
é direito unilateral se libertar.
e eu
eu provavelmente serei um deles;

por incrível que pareça
nos últimos tempos meu melhor amigo
está sendo alguém que mora quase
do outro lado do mundo.
mas de alguma forma
a gente sentiu que era importante
dar um jeito
de nos comunicarmos
e ele
esta como
eu
procurando onde se jogar
tentando encontrar o tobogã
da vida

já faz algumas semanas que conversamos durante a noite
eu pergunto se ele está bem
ele responde e pergunta se estou bem.
Ele tem depressão
eu, ainda não disse do que sofro
mas continuo
escrevendo pra ele

pois eu sei que
se a gente continuar assim
nada de mau
acontecerá
para nenhum de nós dois.



sábado, 15 de dezembro de 2018

Quando o coração humano quer falar
então eu me pergunto, o porque não entendo o motivo do
amor, não se comportar mais com a ousadia do seu lado?
na minha opinião,
é sempre  melhor dizer que os sentimentos são os que são.
Quando eu sentir o amor novamente,
eu quero manter a minha fé viva
e acreditar que não precisarei empregar mais nada de mim
para me sentir seguro
para me fazer feliz.

E acreditar nisso
é acreditar que o amor um dia pode vir.
mesmo sentindo o mundo
me observando
e me julgando
como um tolo todos os dias.

Mas o que posso fazer se para voltar a sentir a sensação trivial
eu preciso
encontrar algo que faça explodir,
todas as mínimas partes de mim.

de mim?(...)

terça-feira, 27 de novembro de 2018

O Último Dia de Verão

Eu me lembro daquelas noites onde eu podia
simplesmente gritar por seu nome
e de onde estivesse
você apareceria pra mim.
mas isso
não
funciona mais.

Eu sou apenas o que restou de uma das vidas que habitava em mim.
Vida da qual em um determinado momento que não percebi ao certo
trocou de lugar com a outra que tomava conta de mim
se apossando de meu corpo, 
de minha vida e de meus atos. 

e eu não sei se amo essa personalidade que sou, ou que era, ou que um dia ainda serei
mas sei que por enquanto, 
eu estou deixando a vida em ponto morto
e tudo está tão difícil
em todas as curvas, em todos os cantos, em todos os lugares
existe dificuldades me impedindo de seguir e as pedras, não param de cair.

Mas mesmo assim sei que não adianta mais gritar seu nome.

pois eu já fiz isso algumas vezes, em determinadas noites
quando passo geleia no pão e bebo com uma taça de vinho barato
sentindo o cheiro de incenso no ar.
mas você 
nunca mais
me ouviu. 

e nunca apareceu.
além do mais
acho que me tornei um desconhecido na multidão
e que eu
por convicção 
acredito que passaria desapercebido por você
pelo seu olhar e pela sua vida,
mesmo se um dia por acaso
cruzássemos pelo mesmo caminho
e se alimentássemos juntos,
os mesmos pombos da praça da sé. 
ainda sim, você não me veria mais ali. 

No final,
o seu caminho foi realmente o certo,
pois eu sou um sonho pequeno demais
para os teus anseios
e você foi atrás de algo maior
que realmente eu não teria condições de fornecer.
e eu fico aqui, 
saboreando pão com geleia 
tentando entender onde exatamente eu perdi a linha do meu destino...

e logo mais
será noite de lua cheia, e estamos no verão
onde tudo é mais bonito
e eu não vou poder compara sua beleza com a da lua dessa vez.
...
já se foi 
tanto tempo.
e mesmo assim
eu ainda vejo o brilho do seu olhar toda vez que olho pra ela. 


Mas mesmo assim
sei que
não adianta mais
gritar
seu nome.




terça-feira, 13 de novembro de 2018

Você vira a esquina mais uma vez... de volta para casa.

A vida que estaciona
aquela música que embalava o  gingado, não vai mais tocar.
todos ao seu redor parecem felizes.
e você fica feliz por eles
mas é singelo consigo mesmo, espera em silêncio o dia que vai sorrir solto
ao invés
de fingir
todas as vezes
que eles estão por perto.
fingimos pois não podemos dar ao luxo de nos confessar
e perder o tempo da vida dos outros.

e eu sempre fui mais de ouvir o que tem para dizer
do que dizer o que eu tenho que falar.

e foi moldando esse jeito meio antiquado que fui chegando até aqui.
e as vezes
isso rasga o meu peito
e as vezes, esse mundo que desejo
foge do meu jeito
eu beiro a loucura,
e então tudo parece que congelar
parando de fazer sentido

a rotina
o conhecimento
as inspirações
o amor
e a saudade


os pontos fortes dos laços da vida humano
desabrocham
e tudo desmorona;
mas a gente fica calado sentado no escuro
como fomos ensinados pelos nossos pais
sempre com um sorriso no rosto para as pessoas estranhas,
escondendo por trás a nossa
tenebrosa insatisfação.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Desafia o nosso peito a própria morte.

Deitado embaixo de uma árvore, 
foco meu olhar em uma folha sobre o fundo azul 
o vento sopra, ela se meche, mas em segundos volta ao lugar.
tudo parecia bem, tudo parecia leve.
embaixo
formigas trabalhavam incansavelmente
para suprir os desastres causados pelo último inverno em seus formigueiros.
tudo parecia calmo.
mas era o começo de mais uma primavera em nossas vidas
não havia muito o que comemorar para dizer a verdade
com exceção das formigas é claro.
eu começo a ouvir tiros no fim da tarde;
eram fogos de artifício
mas não era final de campeonato
nem festa de são joão.

era uma comemoração
do medo
elegeram um fascista nas urnas. dessa vez
eles foram mais longe do que eu pensava.
vestiram as camisas
estas que já não eram verde e amarela
mas sim, do rosto
de seu líder, do rosto
de alguém que repugna gays
mulheres
negros
pobres
trabalhadores.
 
ele nos odeia.
e ouço mais fogos
em comemoração
e vejo
gente que ele odeia
gritando sob euforia que esse 'mito venceu'
e esse mito
que vai nos matar,

ele
nos
odeia
e ele
venceu

resistiremos.
basta lembrarmos das formigas que nos dão exemplos sem parar.
de como reconstruir suas vidas depois de um longo e frio inverno
e que aprendemos com elas agora
os segredos dessa humanidade
a força do coletivo
o caminho da união, o roteiro da luta
nem que seja
a nossa última vez. 



 

domingo, 21 de outubro de 2018

Naquela noite ele esqueceu o caminho de casa



Eu prefiro preservar nossa amizade, ela disse pra ele.
Oras, como se essa amizade fosse realmente satisfatório,
que dela nascessem os frutos necessários que os privariam da solidão de um quarto vazio em uma madrugada de inverno daqui quinze anos.
como se essa amizade conservada, padece sobre a alma e fortalecesse as de nossa vida
e como se um dia eles se lembrassem,
que não se beijaram naquela noite,
para conservar algo que não existe mais.

A vida são pequenos espasmos que atrofiam nossos sonhos.
Plantamos, cultivamos mas morremos sem colher.
Mas pra que se lamentar agora jovem?
o não é não.

Já tarde da noite ele voltou perdido para a casa
mas percebeu que a giro do volante, dava entrada para uma nova rua
e como se fosse mágico
a lua sempre estava posta a sua frente
no esplendor de sua beleza estonteante
e naquela noite
ele teve certeza que ela estava dando o seu espetáculo
 para um único espectador



domingo, 14 de outubro de 2018


Quando as coisas estão paradas, nós de alguma forma  temos que dar um passo, pra ver se algo muda de lugar, se não enlouquecemos sem sair do lugar.

bate o vento, reflete na alma.
mas

Deus, o mundo está estranho la fora, estamos em eleições e as pessoas estão ficando más, racistas e patriotas demais para meu gosto.
 Isso é 2018 e u já não ser o que será de nós em 2020.

Mas eu ainda estou no meu lugar, um tanto entendiado e por isso dou passos, e eu  não sei se nesta noite eu construí ou destruí minha ponte, mas quando voltei pra casa, eu vi as mesmas luzes de sempre e cruzei pelas mesmas ruas de sempre, e eu já não sei dizer se isso é satisfatório, mas ainda estou vivo, legislando em meu próprio ser, um caminho feliz, pra um final feliz.