domingo, 31 de agosto de 2014

Válvulas para a fábrica de espítiros fracos


  Quanto mais passa esses invernos, mais sinto a vontade de voltar para aquela caixa de brinquedosm, que dexei em algum lugar de minha casa e do dia para noite, nem sei como sumiu dali.  Aqueles brinquedos não eram reais, eles eram mágicos. Cresci e vi o que realmente é real, quanta desiluação. Pessoas, ambições, dinheiro, traições, sexo, sarcamos, folhas de jornais, mentiras impressas, ironias; Hooow, até quando vocês vão erguer esse circo de cretinos.

   Talvez se não fosse a música que me salvou tantas e tantas vezes, eu já estaria morto. A música deve ser à única coisa realmente boa nesse mundo, aquela que não falha nunca, pois sempre haverá uma a sua disposição, a válvula de escape que calhará perfeitamente com o seu momento e alimentará seu espírito, despistando seus fantasmas, ou talvez não.

   Guitarra, baixo e bateria, precisamos ainda de muito mais, mas enquanto esses ainda existirem, conseguirei suportar.




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O gato que se esconde dos ratos

  Hoje acordei em um daqueles dias onde concedemos a manhã para uma série de pensamentos desvirtuosos. Depois de uma noite cheia de pesadelos, começo o dia me perguntando até quando farei a mesma coisa, levantar, calçar os sapatos e partir para mais um dia de repetição. Vai durar até o dia em que estarei na fila da porcaria do INSS lutando por dois salários mínimos. Lembrei-me hoje que está próximo do meu aniversário. A maior parte das pessoas ficam felizes por comemorar seus dias de aniversário, eu odeio.  Como alguém pode ficar mais feliz por estar um ano mais próximo da morte? As pessoas reclamam por eu ver as coisas pelo lado pessimista da vida, mas nada vejo além do realismo. Percebi que sequer sabia em que dia da semana cairia o ‘meu dia’, quando vi o calendário, fiquei feliz, pois será em uma terça-feira. Dessa forma eu não terei que ficar o final de semana sendo obrigado a dar um sorriso estampando felicidade para as pessoas, enquanto viro alguns copos de cerveja e fumo meu cigarro. Deixe que eu cuido da minha comemoração, então, declaro que a festa está cancelada.

  A maior parte das pessoas gostam de sair, gostam de praias, ficam felizes em ver o mar. De fato eu aprecio a beleza, mas prefiro ficar distante. Ninguém pode entender o que realmente é, o fato de sentir-se bem em um lugar onde não tem ninguém. Uma vez critiquei uma pessoa que não gostava de natureza, hoje vi como eu estava errado. Eu não gosto de praias, mas gosto de natureza, mas tudo tem seu tempo, tem seu momento, às vezes prefiro naufragar em uma cama, ou debulhar na frente de um computador. Pode parecer monótono, mas se me sinto bem, quem poderá dizer que estou errado? No mundo existem tantas pessoas que não estão bem e se tenho a opção de fazer algo que regue com água fresca meus dias de martírio, pois bem, vou sentir prazer em tudo aquilo que você não tem. Todas as pessoas dançam essa dança, porque ela é boa, é leve e suave, todos dançam, até o dia em que o franco atirador disparar levar os corações cheios de sangue de nossas vidas, mas até lá, vamos acreditar que existe uma continuação.




segunda-feira, 28 de julho de 2014

  O dia nublado nasce de novo. É belo na primeira vista, esses tons de cinza mostram muito melhor quem somos, do que aquele sol escaldante, que nos deixa abobalhados.  Sentimos necessidade de sorrir em dias nublados, e quando não conseguimos, um cigarro serve para amenizar nossos anseios. Nunca foi tão difícil. Você começa a fazer os cálculos: Anos x Meses, meses x dias, dias vezes horas, dividido por você. Quando você chega ao resultado, é impossível não levantar a cabeça e sentir a vontade de mandar tudo para o inferno. Maldito seja o tempo que não para. Maldita seja a vida que não chega. Sonhos estão à venda, nunca foi tão difícil sonhar aqui, nessa cidade que cheira sangue, ouro e pólvora.


  A vida se resume em perder: perdemos dias, meses, anos, dinheiro, roupas, amigos, parentes, namorados, até que perdemos à própria vida. Depois disso, nunca mais perdemos nada.





domingo, 27 de julho de 2014

Desmembrar



   O mundo gira como um moinho, ela vai e volta. Você nunca sente a ventania chegando perto, nunca percebe a hora que deve pular fora daquele muro. Porra, quando você vê, já está girando feito um joão bobo, no meio desses sorrisos malévolos que te levam para a solidão.

    Você levanta todos os dias, preocupando-se em fazer alguém sorrir. Caminha como senão houvesse outro objetivo, de fato, não existe outro objetivo, mas ninguém precisa saber disso. Você ouve os pássaros cantar, anda por aí há procurar. Vê algumas coisas e ignora, as vezes assisti um culto de demônios em sua frente, mas você finge que eles não estão ali. É bem engraçada, se você tem um objetivo, eles perdem todos os seus poderes. Apenas um sorriso serve para derrubá-los. Mas quando eles percebem que você está sorrindo para não chorar, é a hora do show.

    Nessa instante as flores murcham, os pássaros não cantam, o sorriso não aparece e aquele tom esnobe e egoísta é esfregado na sua cara. Você prefere morrer muitas vezes, é normal, a sociedade do espetáculo adora matar ser atores de desgosto.

   Agora deixe-me ir, preciso andar. Não sei por quais buracos eu vou pisar amanhã, mas sei que vou ter que calçar um bom sapato. Se eles estourarem, é melhor parar de caminhar. Já perdi muitos sapatos  nessa estrada esburacada, agora eu não tenho mais nenhum.





Estrelas também morrem. Como todo ser vivo, um dia perde-se o brilho. Com tanta beleza, um dia se torna digna de pena. Com tanta audácia, um dia é vítima da falácia. Um dia acaba, acaba pra todo mundo. Um dia morre e nada absorve. Nem todos os sonhos duram para sempre. 


terça-feira, 22 de julho de 2014

Dançando junto aos loucos em nosso redor

  Hoje acordei, com uma imensa vontade de continuar dormindo. O sonho estava bom, tranquilo e sossegado. Foi difícil calçar meus sapatos e colocar as mesmas calças de sempre para voltar á realidade. Fazer a mesma trilha e hibernar no mesmo lugar. Nesses dias de tédio da aurora, observo mais o rosto das pessoas. Suas expressões são fantásticas, hora felizes, outrora tristes. Motoristas, padeiros, publicitárias, livreiros e mendigos. Todos seguem seu caminho pela manhã, para os mais diversos rumos, as mais diversas dores, os mais sombrios pensamentos. Parecemos pessoas normais, mas todos são estranhos e eu não faço exceção. O pior de tudo não é fazer parte dessa colméia de gente estranha, o problema está em se estranhar. Sim, olhar no seu próprio rosto e não se reconhecer. Eu não quero o que eles querem. Eu não quero celulares de última geração, nem bajular super-heróis americanos. Eu não quer ir em baladas, me esfregar em todo mundo como se não houvesse outra coisa mais interessante. Eu não quero um novo amor. Eu não quero ouvir novas tendências musicais Eu não quero ser recriminado “gordo, feio, magricelo, grande, pequeno, calvo, idiota, besta’’. Tudo isso é muito comum para esse monte de gente estranha. Eles fazem isso o tempo todo. Mutilam as pessoas com seus olhares e seus julgamentos banais. Mas dançam essa música sem saber, sem ver, sem sentir. Está no sangue, na mente, na sabedoria pífia dessas pessoas do terceiro mundo.



  Sim, hoje o mais estranho foi não querer acordar, e quem sabe nunca mais.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Pequenos arranjos de uma orquestra sem platéia



We'll never stop, once we start...


 
   E quando tudo parece ir para o melhor lugar do mundo. Encontro-me no inferno pessoal novamente. Fazia tempo que não visitava esse local, tudo parece estar no mesmo lugar. O mofo parece enfeitar o local. Os pisos rachados combinam com a aparência cinza contemporânea das paredes. Lá fora a chuva está caindo, derramando suas lágrimas sobre o asfalto e acumulando água pelas sarjetas.

    Concedo sempre a mim mesmo a própria sentença, prefiro a pior possível. É aquela sensação de ir ao banheiro e encontrar seu rosto refletido na água sanitária. Não é legal, mas você acaba se acostumando com o que vê. Quando repouso meu corpo sobre a cama durante a madrugada, a escuridão mostra os tons mais vibrantes, levando-me para um passeio ao meu velho mundo largado, em um lugar qualquer.

    Não sei por quanto tempo estarei nesse lugar, mas tudo que eu quero é levar felicidade para onde eu conseguir chegar. Para onde eu alcançar. Onde eu merecer, onde não seja tarde demais.

   Um sorriso nesse momento, eu ainda consigo ver. Era seu rosto, passou pela minha mente como um fleche agradável de vistas. Gostaria de trazê-la em meus braços em alguns segundo. Um piscar de olhar e pronto. Mas tudo parece tão distante agora meu amor, o horizonte está cada vez mais distante de meus olhos. Gostaria de juntar tudo o que há de ruim nesse mundo e segurar sozinho, só para que nada atrapalhasse o seu sorriso.

   A lua brilhava tão forte sobre nossas cabeças, a fumaça dos cigarros entrelaçavam nossos olhares. Pessoas conversavam alto e os ruídos da cidade ecoavam em nossos ouvidos. Nós sequer percebemos o holocausto social. Só tínhamos tempo um para o outro. Era pura sedução. Era o brilho no olhar que nos mantinha forte e imunes naquele lugar.  Se eu pudesse voltar no tempo, gostaria de regressar naquele lugar, segurar tuas mãos e lhe entregar um pedaço de minha vida.


"So who's to blame , shouldn't be a care.
What's done is done - go from there,
And recuperate. From past mistakes…
We have a choice from rise or fall.”