quinta-feira, 29 de maio de 2014

A arte de procurar pra todo o sempre


Se estivesse por aqui, entenderia.

Já tive noites de insônia e outras sono profundo. Sempre procurei a melhor posição para descansar. Tive dias de rara felicidade, outros de puro rancor e aqueles de sempre. Passei por  momentos de bondade e outros pronto para explodir e expulsar todos os demônios que em meu corpo habitam.
 Já me envolvi em jogo sujo, afim de dinheiro fácil. Já trabalhei honestamente para acabar como burro na água. Já conheci pessoas que sequer lembro do nome; já destruí amizades por vontade própria. Já pedi perdão e já recusei-o também, aprendi o quanto é difícil, mas alguns rostos não seriam mais bem-vindos nessa vida, devido a mudança de personalidade.

Procurei por algo que me deixasse melhor, mas sempre me encontrei um buraco maior. Rodei em minha própria sepultura umas dezenas de vezes, mas sempre voltei, acho que ainda tenho coisas pra fazer aqui.
 Já dei uma de escritor; já tentei moldar a cabeça de alguém; tive momentos de ditador, outros de subordinado. Implantei e destruí ideologias. Quis mostrar para todo o mundo uma única verdade, sem perceber que temos várias verdades no meio de um monte de mentiras.
Tentei ser um cara legal, mas também me calei para observar a estupidez de outros. Já procurei ser forte, mas estampei minha fraqueza. Tentei me auto-configurar, ser aceito, aprender com esse monte de gente igual, mas só naufraguei até esborrachar minha face no asfalto dessa cidade.

Já procurei e tentei sugar, os motivos de tanta alegria que eu vejo nos rostos dessas pessoas...  

terça-feira, 8 de abril de 2014

Então fica assim, por mais que não queira, não existirá outra escolha que não seja esquecer. O tempo vai passar, de uma forma ou de outra, você vai esquecer. Fique aflito, pois a paz tardara à chegar. E quando parecer que não haverá mais escapatória, na beira de sua loucura tudo vai mudar... Se a dor for muito forte, paciência... De algum jeito ela vai passar.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Doces com liberdade

  Uma vez estava sentado em um banco de uma praça qualquer. Em minha frente às árvores balançavam e destilavam toda a beleza, acarretada pela brisa fresca que por ali passava. Pombos faziam um amontoado por restos de comida que estavam espalhados pelo chão, brigavam e por fim brincavam, sem raiva nem rancor daquele que conseguiu encher o papo primeiro. Um amontoado de casas na minha frente contemplava a paisagem, favelas, comunidades ou barracos de classe média, não sei bem dizer, é tudo muito desigual para um lugar só.

  De longe avistei uma garotinha vestida de rosa, aparentava aproximadamente oito anos, carregava consigo um sorriso e um olhar ousado. Ao lado dela sua suposta irmã, uma garota mais acanhada, que não deveria ter mais que seis anos de vida. Elas apareceram na porta de suas casas e começaram a cochichar algo... Fiquei observando para ver o que ocorria. Para minha surpresa, a garota de oito anos começou a andar pela calçada da avenida até a venda de doces no final da rua. A outra irmã estava mais afoita, temerosa, olhando aterradoramente, enquanto acompanhava com seu olhar a menina que buscava os doces. Aquela que caminhava estava sorridente, olhava para sua irmã que ficará no portão, receosa com a aventura, que provavelmente ficou com medo de acompanhá-la. Sim, sem margens de dúvidas, os pais daquelas garotinhas não estavam em casa, como são muito novas, costumam ficar trancadas dentro de suas paredes, brincando com bonecas e sem saber o que existia no mundo por fora do portão. Mas uma delas foi ousada e tomou coragem para buscar os doces. Sim, aquele simples gesto de coragem, apesar do medo da outra irmã, mostrou através do sorriso daquela criança, que ela sentia pela primeira vez o gosto da LIBERDADE. A jovem debutava o direito de ser livre pela primeira vez, e por sentir-se livre, não esquecerá o medo de ser descoberta a qualquer momento pelos seus pais. Mas esse é o preço que pagava, pois aquele momento é único e perigoso por natureza própria. 

Assim como em uma aventura até a vendinha de doces, ou sobre a exploração de uma Ditadura Militar, desejamos a liberdade incondicional, mas sempre estaremos com medo. Pois a qualquer momento, a vanguarda poderá pegar-nos, nos tacaram no inferno, seja dentro de um banheiro ou em encima de pau de arará... Mas nunca deixaremos de sentir o desejo e a euforia por estarmos há um passo e ao mesmo tempo tão distante da liberdade.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Gente que brinca, que canta e que finge

  Desde o começo dos tempos, do momento em que abrimos nossos olhos pela primeira vez, explorando um universo de cores desconhecidas, nós procuramos por algo que não conseguimos ver. Não é Deus necessariamente dito. Muitos de nós procuramos por algo além, uma verdade mesmo que seja em forma de mentira. Um sorriso simpático, mesmo que esteja rodeado de lágrimas. Se for de amor, ou de tristeza, será sempre à luz do fim do túnel que nos resta. A vela que não se apaga, debulhando na cera derretida que está em todos nós. Está em todo o canto, está em todas as direções.

  É o segredo do universo, mágico e bem arquitetado, que nos faz vislumbrar dúvidas e caçar respostas, como se fossem mariposas pairando por nossas cabeças. Você pega uma, e voa outras, nunca consegue segurar todas, é como uma brincadeira sem fim, mas você ama isso. Busca mesmo com medo, pois sabe que tudo não passa de uma repetição, mas sempre tem uma surpresa agradável ou não, que está por vir, que te abate e te nocauteia, seja de alegria ou de tristeza, pois nessa terra não passamos de um bando de pessoas vulneráveis.

  Agora que crescemos, aprendemos que esse mundo de vai e volta não tem fim. Uma corrente repentina que te prende aqui, seja um sonho que anseia, ou aquela velha intenção de fugir que te liberta. Procuramos incansavelmente a forma secreta para o dia nascer feliz, mas nunca nos perguntamos por que não temos o direito de ser feliz, da forma que bem entendemos.

  Veja aquela muralha, parece muito maior que você. Aos nossos olhos frágeis aparenta ser inalcançável, porém se você acreditar, você vai pular e fugir, mas se você se acomodar, prepare sua cama e suas quatro paredes, pois dali você nunca conseguirá escapar.



domingo, 16 de março de 2014

Dentro das tocas e das montanhas




   E ele estava lá, com seu sapato desbotada, jaqueta amassada e olhando a sua volta. Nada além de pessoas seguindo destinos opostos, e ele estava lá, parado, acanhado, só observando o barulho repentino, que mistura ódio e solidão. Procurando o que sequer consegue decifrar. A cada sorriso uma ilusão, a cada gesto um encanto, a cada olhar uma decepção. Assim ele procura seu lugar nos subgrupos dessa cidade.  Nesse mundo de joão ninguém, ele é mais um, que só procura achar alguém. Sim, ele brinca, corre e canta! Mesmo que se sinta velho para isso, mas ele é vivo e pode sentir. Tenta criar amizades onde  só se vê mentalidades tacanhas, bajuladas por status inúteis. Grita aos ventos esperando por sua resposta, rodopia debaixo dos panos, sabe que está distante de tudo e só pensa em um lugar a deriva para ficar.

   Passos curtos todos os dias, tatear a solidão é preciso e perigoso. Nessa ilusão de amor com veneno ele ainda se vê feliz. O cinza da cidade o deixa bem, a música calma e o banco da praça lhe acalma. Café com cheiro forte, uma dose de vida para cada pensamento perdido. Mas onde esse rapaz rasteiro vai chegar, ele não quer mais ser quem não é, só quer aceito em um mundo onde todos fingem ser aquilo que não é. É tão difícil ser normal na cidade das máscaras, ele sabe disso, é mais forte do que si mesmo, é derrota passiva, angustia permitida, conformada e destrutiva.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Como as borboletas cinzas

E como borboletas cinzas, que desfilam suas cores sombrias pelo céu azul, você também trilha seus passos; você anda apressadamente para alguma coisa qualquer. Busca um lugar que lhe traga alguma paz, algo tranquilo sem soberba, que lhe ensine as coisas simples, sem tarifas e cobranças. Esse é um tesouro, mas temos que pagar com a única miséria que temos.

Um palhaço animador de festas leva flores para as damas e cumprimenta os cavalheiros. A maioria o rejeita, sequer demonstram simpatia pelo sujeito. Seu sorriso é forçado, mas ninguém se da conta, pois o palhaço usa maquiagem para fazer os infelizes sorrirem, mas ninguém se interessa em fazer um palhaço sorrir.

Em um incêndio no formigueiro, as formigas voltam para salvar aquelas que estão acuadas pelo fogo. Elas trabalham juntas, comem juntas e dividem tudo que tem, como proletariados que são. Ensinam tanto para nós, mas como um ser humano pode prestar atenção em seres insignificantes...

O entregador de cartas que jamais deixou de lhe despachar uma correspondência, Nunca virou amigo de alguém em seu trajeto. Todos dizem - olá, tem algum pra mim? Mas sequer sabem o seu nome, muito menos sabem que ele se mata nos botecos a beber após o expediente, só para esquecer de tudo, menos do que ele é.

No centro dessa cidade, uma menina compra alimentos para um morador de rua.
Nos extremos desse caos, as favelas varam as noites sem dormir. Luzes continuam acesas após o amanhecer, corações estão apagados de tanto sofrer. O cigarro sempre está aceso, o café sempre quente. A televisão no “MUTE” e a mente inconsciente, procurando um lugar onde possa ficar contente, se faltar luz, melhor dormir, para fugir desse pesadelo.


Em outro canto pra lá de distante, um velhinho pegou ônibus bem cedo, no horário mais lotado, para comprar pães na ultima padaria do bairro. Ele se sente melhor com um montante de gente ao seu lado, faz com que esqueça que há dois meses sua casa está vazia e a solidão o atormenta, pois sua esposa já não está mais naquele lar, ele a perdeu para um infarto fulminante. Agora ele vive em pranto, sem rumo e com uma dor da perda, vaga como uma borboleta cinza esperando a hora de sua retira e por fim encontrar a sua paz.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Procurando tudo que é mais belo e infinito

Para ouvir...
http://www.youtube.com/watch?v=6gLTDygC8bg



As coisas passam, só espero não envelhecer demais antes da hora. Também não quero contar meus erros como se fossem cactos de uma garrafa de Vodka. Se a alma anda desgastada, devemos nos esforçar para notar o que estamos expelindo, pois é certo que tudo do qual transmitimos, volta para nós. Cedo ou tarde pagamos pelos nossos atos e o preço dessa dívida, nós nunca vamos entender. Transmita bondade e receba bondade. Transmita ódio e você criará seu inferno pessoal, regado de lágrimas que lhe impedirá de ser livre e de deixar outros que querem compartilhar sorrisos, serem livres também.

Liberdade é uma palavra tão falada mas pouco compreendida. Nunca mostrou sua verdadeira face, mas todas anseiam por encontrá-la. Uma palavra sem pé e nem cabeça, cheia de interpretações equivocadas e até hoje ela é capaz de criar e acabar com guerras, sentimentos e emoções.

Mas engana-se aquele que crê que tudo são flores. Todos estão errados, pois ninguém consegue encontrar a mais bela roseira que há... Caminhando em passos curtos, tropeçando em meus próprios pés, estou errando como um parvo. Mas mesmo sendo um parvo, alimento um sentimento que me faz viver um pouco mais. Um sorriso que só eu vejo, um olhar que só eu sonho, um brilho diferente, uma sensação enigmática porém é isso que me segura, para eu não cair.
Não sei por quanto tempo assim será, se o para sempre não acabar, pra sempre vai durar. É com a paz que eu quero transmitir o mais belo sentimento e intenção que existe.