quinta-feira, 2 de abril de 2015

Um dia para ser esquecido



E então me pego deitado na cama, com o telefone largado ao lado da orelha. Meus olhos estão borbotando para os lados, hoje eu sei que a noite vai ser diferente da de ontem, eu sei não vai ser fácil. Uma explosão está ocorrendo em minhas vísceras, mas dessa vez é diferente, não sei explicar bem como, mas é diferente de todas as outras vezes.
 Sei que fiz tudo que estava ao meu alcance para tentar salvar o que não se pode privar, utopia de longa data. Se tem algo que aprendi nessa vida é que nada é para sempre e eu já estou me conformando em ficar pra sempre comigo mesmo, pois sou o único que poderei garantir a minha própria integridade e conservar meu espírito, antes que os demônios o carregam para o inferno mais próximo daqui.

Essa cidade está cheia de pessoas com sonhos lindos, eu incentivo vocês buscarem todos eles, mostrem para que vieram, mas não deixe que nada mais atrapalhe o seu caminho.  E se você é um empecilho do sonho duradouro de alguém, saia do caminho, você não tem o direito de usurpar um lugar na história que não lhe pertence.

Mas não se preocupe, em baixo desses prédios cinzas, você encontrará o seu lugar. Seja dentro de um bar  denso e escuro, tomando uma dose de uísque, seja alimentando os pombos na praça, ou até mesmo sendo hospede de um bordel. Onde seu coração recomeçar a bater depois de uma grande névoa, é porque seu lugar estará por lá. Seja junto à um milhão de pessoas, ou simplesmente dentro de uma cabana no meio do nada.

Amanhã eu não terei com quem falar dos livros, nem dos filmes, nem do dia, nem da noite. Eu sei, é difícil se acostumar, o tempo salva mas também destrói.

 Bem - vindo de volta.



domingo, 29 de março de 2015

O céu que pertence aos pássaros afônicos


O tempo vai passando e mostrando para nós algumas verdades enferrujadas que nunca foram ditas, verdades que ficarão marcadas nas cicatrizes da vida. As vezes tenho vontade de voltar no tempo e pedir desculpas para algumas pessoas, mas agora não há mais tempo. O tempo que nos resta abafará as angústias e nos levará para novos caminhos, novas montanhas, novos prédios ou penhascos; pois na vida temos poucas chances de fazer as coisas certas e muitas de fazer as coisas erradas; eu acho que errei demais, agora tenho que conviver com esses erros e as vezes fechar os olhos e fingir que eles não existirão.

Se a vida continua, nos fazer acordar com esperança renovada todos os dias, mas nem sempre percebo o brilho de seus olhos, que reacendia minha chama todos os dias. Acho que os olhos não brilham mais como antes, nossa música não canta tão alta como antes. Parece que está tudo normal, mas  é exatamente isso que afoga nossas esperanças, uma inércia do qual não consigo explicar ou compreender.

Ainda estou acordando todos os dias, com a esperança de que a vida voltará ter o mesmo sentido para nós, mas meu pessimismo sempre falou mais alto e interrompe todo o zelo que eu poderia ter. Sinto que existe uma procura de novos ares, novas metas, novos lugares, onde não haverá as velhas rachaduras da qual você já deve estar cansada de ver. O céu está limpo e por mais que os pássaros não cantem mais nossa canção favorita, eu vou entender se você simplesmente quiser ser feliz de verdade.




segunda-feira, 23 de março de 2015

Baldes de tinta na escuridão

Estamos bem aqui. Mais um planeta em uma galáxia rodeada de estrelas e contendo pessoas por todos os lados. Podemos escutar de tudo ao meio das paredes que cercam essa cidade, são quase sete bilhões de desejos incontidos, de anseios mal resolvidos, todos reais como pólvora e rosas vermelhas. Podemos ouvir os corações apaixonados palpitando, ouvir as mais belas gargalhadas que surgem ao redor de um grupo de jovens; podemos ver a afeição feliz do garoto inibido que escuta sua música favorita;  Contar as estrelas e encontrar aquelas que mais fazem lembrar as pessoas que amamos. Esse enfeite gratuito está sobre nossas cabeças todas as noites, mas o cotidiano acaba por si só fazendo com que as pessoas se acostumem, e o espetáculo gratuito perde a graça como um palhaço triste, o brilho mais belo dos céus é derrotado pela sua cisma contínua de sempre querer brilhar.


Os tempos difíceis existem para todos, a notícia que insurge o ódio. A guerra de almas, ideologias conflitantes sugerem agora mais uma mudança, antes que seja tarde, só mais uma tentativa de salvar o que já se perdeu através dos anos, a velha matéria do jornal vira manchete mais uma vez. Eu não estou sozinho aqui, por mais que as vezes a escuridão paire os olhos, posso escutar todos os corações palpitantes. Eu posso escutar o seu coração palpitar perto de mim... Aquela velha música ainda faz abalar o mundo inteiro, refrões rasgam os ouvidos e me fazem lembrar de seus abraços. 

As habilidades se perdem conforme o tempo. Uma regressão pessoal, as coisas parecem ficar pequenas demais. É como andar por uma viela de sonhos perdidos, você tenta encontrar o seu, você tenta resgatar um talento que você nunca teve, incontinente.  Mas mesmo que não escutemos as palavras que gostávamos de ouvir, procuramos achar no brilho dos olhos e os motivos que nos fizeram estar aqui. São todos os motivos que nos enchem de vida e que nos mantém de pé.

Amanhã o céu vai colorir os prédios. O dia vai se repetir para muitas pessoas novamente, mas você poderá deixar esse enxame de angústias contidas dentro de um bueiro e começar um novo final, para uma velha história.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

De repente sentimos uma angústia que geralmente chamamos de saudade. Mas o telefone parece que não querer conversar mais. Nesse caso não colocamos nossos dedos no teclado numérico, com medo de que nossa saudade seja abafada. Deixamos morrer com o tempo nossa vontade e tudo parece ser normal. Assim é mais fácil, da forma mais dolorosa, mas é mais fácil e eu não sei se existe outra maneira. Vamos deixando com que o tempo varra e cubra nossas trincheiras, plantaremos rosas por cima, para relembrarmos dos velhos tempos e brindaremos sozinhos olhando as estrelas nesse futuro incerto. Pedimos por isso e pagamos por isso e nada mais parece ter sentido desde então. Mas o tempo, ele não para, como diria o nosso poeta. A vida é tão vaga quando não tem sentido e pior ainda é quando esse sentido está vagando para o infinito, onde não podemos mais tocar, onde não podemos fazer mais nada além de acenar e dizer adeus para tudo que conseguimos.  

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Sempre que viajamos para algum lugar, levamos conosco a saudade daqueles que nos ama e também vamos acompanhado de quem amamos. As árvores passando deixam em nossa vista o desfile da natureza, uma sensação que não tem preço e somente aqueles sentem esse prazer, podem se dar o luxo de gozar de um desfile único e gratuito.

Em meio às pedras, em uma cidade pequena, onde havia paz e amor por todo o lado, eu encontrei a paz, mas pouco vi amor em minha volta. Senti falta dele, faltava algo que eu não se pode comprar. Eu não sei se estou velho demais para me importar com isso, mas ao meio daquele imenso céu azul e cinza, palavras se formavam e me diziam o caminho que eu devo seguir.
Passei sobre as trilhas, subi em pedras e nadei em lagos, uma vontade imensa de berrar para que o silêncio da terra pudesse me ouvir, mas nem mesmo as pessoas mais próximas estavam me ouvindo naquele momento. Não foi fácil entender.  

Se um dia eu partir dessa terra de silêncio, vou levar esse amor acumulado, com a certeza de que ele é somente seu e assim deverá ser eternamente. Mas abdicar de algo pode libertar aqueles que não suportam mais esse amor. A prisão também pode ser feita de amor e eu não posso mais sobrelevar a profissão de ser um carcerário de alguém que tanto gosto.

Dessa vez eu aprendi que o erro está em procurar maneiras erradas de fazer outras pessoas felizes. Maneiras que me fariam feliz, não deixarão outros mais felizes. Ou abdicamos de nossa felicidade individual, para polir quem está ao nosso lado, ou exerceremos nossa vontade incumbida e assim deturparemos tudo a nossa volta, esbanjando nosso egoísmo e destruindo os nossos mais belos sonhos.

Eu sinto muito, por ser tudo que sou.



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O melhor lugar do mundo

Meu trabalho não é de todo o mal, mas às vezes ele me consome. Existem profissões que se diferenciam de um trabalho comum, imagino um caminhoneiro que pega a estrada e as rodovias todas as madrugadas, faz o caminho que quer, apesar do cansaço, ninguém pode lhe cobrar antes da hora. Todos os dias deve viajar feliz. Nada melhor do que observar as árvores passando na contra-mão da vida e o cheiro da natureza infiltrando os pulmões, junto ao vento que respalda no rosto, junto há uma boa música sendo tocada no rádio e uma solidão repleta de saudades que serão sanadas em determinado lugar.

Existem momentos que eu prefiro não pensar em assuntos pessoais, pois isso só me deixará triste e também serei consumido por ele pouco a pouco. Olhar no espelho não é tão fácil quando um estranho aparece do outro lado. Uma vez me disseram que eu não sou o que pareço ser, me senti como uma moeda falsa, mas eles estão certos. Eu também faço parte do mundo de faz conta e somos coadjuvantes desse filme. Mas apesar de todo mal que eu posso causar, estou aqui, sempre apto a ouvir e a entender todas minhas imperfeições, vou morrer com a maior parte delas, eu sei, recusá-las não é o melhor caminho nessa altura da vida.


Eu gosto de pensar diferente de quase tudo, o senso comum me faz mal e eu pago o preço por isso na maior parte dos dias, ou ao menos quando eu tento uma interação com as pessoas. Não quero que concordem comigo, nem que me abrace quando não existir a vontade de abraçar, esse tipo de coisa não vale à pena quando não existe um sentido próprio da vida. Mas sinto que estamos apodrecendo um pouco a cada minuto e eu acabo fazendo com que as pessoas que eu mais gosto, aderirem minha doença; Eu não quero fazer mais mal, eu amo todos vocês.


Hoje ao meio da consumação do alma, entre um trago e outro de cigarro, um mendigo me aparece, contou uma piada com aquele monte de papelão entulhado em seu carrinho minúsculo com rodas frouxas. Me fez rir, eu contei outra piada, ele também riu. Em meio ao sol radiante, duas pessoas distintas, com sentimentos ocultos e sombrios se encontraram, compartilham a felicidade instantânea e foram embora. Nunca mais eu vou o ver. Eu desejo a ele sorte e boa viagem, esse mundão não é fácil e a maior parte dos seres humanos, ainda não encontraram o melhor método de sobrevivência.


Peço desculpas por tentar ser o que eu não sou.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Champagne e as luzes no céu, era só mais um dia, que simbolizava a virada do ano, como se isso foi algo para se comemorar. A mesma coisa de sempre, os mesmos rostos que estão cansados de procurar por sua felicidade, as mesmas roupas brancas desfilando pelas ruas na madrugada barulhenta. Não posso culpar o ser humano que sonha constantemente, sem dúvidas essa é a maneira mais fácil e viável para encarar a vida como ela é, pois dessa forma você fica a mercê da sorte e se nada der certo, não foi tão mau assim. Se eu fizesse o mesmo, talvez eu estaria sonhando ao invés de escrever, acabaria por poupar vocês. Não é tão fácil quanto parece, o que me contenta é que tem muito peixe morto por ai que pensa como eu.

Constantemente as pessoas me questionam porque eu sou um fumante. É uma maneira simplesmente encantadora de deixar uma pessoa entendiada. Nesses momentos eu fico a pensar se eu não fumasse cigarros, eu teria a vida eterna. Mesmo se concedesse tal divindade, eu não iria querer a vida eterna. A vida só tem sentido porque existe a morte e nada além da morte concede a vida o significado tão importante de sua existência. Se não fosse ela, nada teria sentido, nem mesmo essas linhas tortas que escrevo sob o caos de meu trabalho. Tenho muita coisa acumulada para fazer agora, mas elas podem esperar um pouco, já eu não posso mais esperar.