quarta-feira, 29 de julho de 2015

Eu fico aqui sentado, pensando que amanhã será mais um dia de trabalho.
Logo penso um pouco nos meus amigos,
Todos estão lá, com suas mulheres, suas amantes, suas bebidas, fazendo seus planos para o fim de semana.


Enquanto eu estou aqui, olhando para relógio, para esse computador,
tentando encontrar algum lugar no mapa, onde poderei me esconder esse fim de semana,
 me mantendo o mais longe possível dessas paredes, para não enlouquecer.


                 

Resto

Baratas andam triunfando,
todas as noites,
em todos esses bairros empoeirados,
o máximo que você pode fazer é matá-las
Mas para cada um de nós existem um milhão delas.

Cigarros ficam umedecidos de cerveja,
A chuva cai e não sinto mais ela me molhar,
vejo que qualquer frouxo pode ser um bom perdedor,
quando se aprende a perder com estilo.

Para ser sincero,
Nós não nos conhecemos de verdade,
Estivemos perto uma vez,
Mas nunca nos encontramos.
Talvez eu teria sido injusto com você,
talvez você fosse comigo
no fim,
foi melhor assim.

Os solitários são os mais autênticos,
Talvez os únicos que sobraram,
Entre tantas calculadoras, tantos sinais de trânsito
ambulância, sirenes, buzinas,

fumei 15 cigarros ontem a noite,
tomei 6 latas de cervejas
o telefone só tocou uma vez, era engano.


Por mais que o mundo possa me achar um chato e de fato eu já assumi a identidade, talvez eu olhe demais e deduza muito como o meio social constrói o seu convívio. Eu não faço por mal, gosto de observar mas não vou tocar, não vou mexer, não vou alterar o futuro das coisas, mesmo que o futuro seja ruim sobre minhas vistas. Eu já passei muito tempo tentando aparar o cabelo das pessoas então hoje eu vejo mais, escuto mais, escrevo mais e falo menos. Aprendi então que os seres humanos se empenham e dão seus 'jeitos" para muita coisa. Esforçam-se para acumular e acumulam um monte de lixo e se esquecem que nada levaram no final, mas o consumismo é o primordial para uma suposta vida sadia que eles desejam ter. Olham demais para seus celulares e se esquecem de olhar para a lua, quando a mesma aparece todas as noites para nos contemplar com seu espetáculo gratuito. Mandam mais mensagens do que conversam pessoalmente e por mandar tantas mensagens demais, logo olham demais para baixo, se esquecendo de olhar para os lados e por não olhar para os lados, logo não encontram outras pessoas.


Não que antes o relacionamento humano fosse muito diferente ou muito melhor do que hoje é, mas antes ainda havia esperanças, agora depois de tanto procurar avisto apenas raras exceções e um mundo não pode ser moldado a base das exceções, pois não é a vida que interessa a maioria. A vida artificial venceu por fim a vida real, pois é assim que as pessoas aprenderam apreciar, a sentir o prazer e até mesmo a amar.


Espero que as pessoas ainda estejam ouvindo música, estou aqui ouvindo as minhas e sei que existem alguns como eu por ai, um grande abraço para todos eles.



segunda-feira, 27 de julho de 2015

O repouso das hienas

A vida as vezes concede uma castigada em cada pessoa, seja ele boa ou uma má, nesse caso não importa o caráter pois a vida é composta de variáveis, que nos levam em lugares que por muitas vezes não queríamos estar e você tem que entender isso de alguma forma, antes de enlouquecer, antes da bomba explodir, ou antes que seja tarde demais para voltar.

Por algumas vezes tentei dar passos a frente e quando menos esperava, foram lançadas granadas atrás de pedras que me fizeram recuar 4 passos para não ser atingido, mas não adiantou, as atitudes são como os estilhaços dos explosivos, se você estiver próximo do artefato, os resquícios também vão lhe machucar. As vezes eu canso do jogo da vida, das pessoas, do eu te amo não verdadeiro, daquilo que elas dizem que são e não são e das promessas ditas e não cumpridas, junto daquelas que nunca foram prometidas mas que deveriam. Certamente isso acontece com muitos, normalmente com os mais introvertidos, aqueles que falam menos, que olham mais, aqueles que sentem a presença do sol mesmo em um dia de frio.


Talvez eu esteja despreparado para viver assim, mas acredito que não sou o único, logo devemos procurar as espécies raras e viver em conjuntos solitários como os animais já nos ensinaram. Uma hiena sozinha é uma presa fácil para os lobos, tigres e leões, mas uma alcateia de hienas, pode matar cada um dos três.


Imagem: Lilith -  Considerada por muitos a primeira mulher de Adão. Foi julgada como demônio pois não aceitava ser inferior a Adão pois fora criada pela mesma matéria prima e não de sua costela. Foi expulsa do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdades do sexo.

"E as feras do deserto se encontrarão com hienas; e o sátiro clamará ao seu companheiro; e Lilith pousará ali, e achará lugar de repouso para si." Isaías 34:14



domingo, 26 de julho de 2015

Da sessão: Só mais um dia da vida de alguém


É um tanto complexo ligar o rádio e ouvir minhas músicas preferidas. Sempre procurei pelo Lado B em tudo que escuto, afim de sempre ficar no oposto da maioria pois isso de certo modo sempre me agradou, mas eu compartilhei quase todo o meu Lado B com você e agora não há o que eu escute, que não me faça lembrar de você.

Fui  chamado para uma reunião de amigos nesses últimos dias, não estava muito disposto mas também estava sem muito o que fazer. Pensando que só teria coisas ruins para beber, levei uma garrafa de uísque por minha conta, de fato foi a melhor coisa que eu fiz, certamente eu teria ficado enjoado se bebesse toda aquela mistura de álcool e refrigerante. As pessoas tem o dom de torturar seu próprio estômago e querem torturar o dos outros, por isso preservo pelo meu torturando-o do meu jeito, menos sagaz.

Ao centro da reunião tinha uma fogueira do qual meus olhos pairavam ao centro e acompanhavam o dançar sedutor das chamas. Eu estava lá para exorcizar alguns demônios e a fogueira era perfeita para isso e devido a isso fiquei lá, quieto, sem falar muito com ninguém. Porém de certa forma um antigo amigo se aproximou, sentou ao meu lado e começou a falar. Deixei-o terminar o cerimonial de apresentação e então o indaguei:

- Porque não pega uma cerveja?
 Eu sabia que ele era um alcoólatra de primeira e o motivo dele não estar bebendo me suava estranho.

- Estou bebendo devagar, não quero passar da linha, ultimamente chego muito alcoolizado em casa e as vezes deixo até a porta aberta, respondeu com a cabeça baixa.

 Acenei com as mãos ele prosseguiu dizendo que haverá perdido a mãe há poucas semanas e tem uma sensação horrível todas as vezes que chega em casa e não encontra ninguém a sua espera.

Nesse momento concedi meus sentimentos e quando olhei para seu rosto, vi-os esbaldando em lágrimas. Poucas vezes virá um homem chorar na minha frente e de longe esse fora a mais comovente.


As pessoas escondem todos as suas lágrimas, mas chega um momento em que ela precisa despejar e necessariamente tem que ser ao lado de alguém. Não precisa ser uma pessoa mais próxima, apenas alguém que lhe entenda. Eu o entendi e ele também entendeu meus problemas. Eram demônios familiares cada qual em sua posição. Certamente as outras pessoas em volta da fogueira despejavam sobre as chamas suas lágrimas, mesmo que fosse em silêncio, mesmo que fosse sem ninguém notar. Era o mundo do disfarce. Temos que disfarçar que somos fortes em um mundo que nos deixa cada vez mais fracos.



sexta-feira, 24 de julho de 2015

Luzes vermelhas por todos os lados

Em um bar dois homens dividiam a cerveja e um deles angustiado despejava todo o sentimento e a tristeza que padecia sobre seus pensamentos. Depois de alguns momentos, o outro que ouvirá calado o tempo todo, se levantou e disse que precisava ir embora.

— Mas está cedo, não tomamos nem 3 garrafas, retrucou o amargurado.

— Desculpe mas tenho algumas coisas para resolver, espero sinceramente que melhore seu ânimo, por que não esperimenta ir em um casa noturna?

— Vou pensar nisso, respondeu após uma pausa.


E então partiu. O primeiro homem continuou por alguns minutos na mesa daquele bar, pediu uma dose de Rum para acompanhar. Não queria voltar para casa pois era lá onde encontraria seus pensamentos ruins, seus sentimentos jogados ao chão e também ao teto de seu quarto, todas as vezes que fosse se deitar na cama. Os amor, o rancor e a tristeza faz com que tenhamos medo de nossa própria casa, pois é lá onde muitos desses pensamentos costumam se manifestar, no âmbito de nossa solidão particular, um luxo que nos foi concedido e devemos ter gratidão por essa graça.


Virou a dose de uma vez só, pediu a conta, pagou e não esperou pelo troco. Ascendeu um cigarro e saiu caminhando pela rua. Por vias do destino apareceu uma casa noturna e uma moça muito sedutora com um vestido preto chegou próximo a ele e disse:

— Está perdido por aqui? Não quer entrar e beber algo comigo?

O homem sabia que aquilo era um convite, olhou para os olhos dela e em seguida abaixou a cabeça e disse.

— Fica para próxima, mas obrigado.


A moça do prostíbulo observou e nada mais acrescentou, certamente ela perceberá os olhos frios daquele homem quando com os dela se cruzou, pois ela também tinha sentimentos, também sofreu por amor, por perdas, por danos, era esse o mundo em que os dois viviam. Derrotados por nascença e condenados a viver daquela forma, sejam em prostíbulos ou escritórios, não havia grandes diferenças, era o mesmo mundo para os dois e pra todo o resto da humanidade.