sexta-feira, 8 de maio de 2015

Uma noite sem sonhos

Só mais uma noite, e essa cidade grande e vazia, por dentro, se torna um labirinto de ambulantes desconhecidos. Agora de uma música que nem toca mais no meu rádio. Ele está quebrado. O espelho reflete o eu sozinho, sem ninguém, sem você. O Culto à própria personalidade fracassa novamente. Uma voz que me diz que para sobreviver é preciso se esconder. O teto está prestes a cair e o cinzeiro cheiro mostra os sinais letais de toda a dor. Alguns remédios são necessários. A propaganda diz que te salva, eles tomam suas últimas moedas e saem dançando e comemorando seus vícios, procurando outros corações despedaçados para lucrar.


E então agora eu posso admitir ter sido um exagero, desespero eu sei. Tentei interpretar de várias maneiras e agora deixo meu corpo à deriva, evitando a tragédia circular, a procura de um recanto e procurando por fim, a felicidade incondicional, de viver sozinho, sem ti, pra sempre.




segunda-feira, 20 de abril de 2015

Paixões, virtudes incondicionais e o cinzeiro cheio


Para Kim,
Que um dia me proporcionou;
E por fim me privou.

Mais um dia, mais um segundo; Levantando cedo, quase sem dormir; Tento fazer todas as coisas, como se tudo estivesse no mesmo lugar. Preparar, apontar... Mas o cinzeiro cheio é sinônimo de dor.

Eu sei que a solução é ficar de pé e não olhar pra trás, lhe deixar em paz, seguir o tempo, acompanhar deterioração de um sentimento, com as luzes do quarto acesa até tarde, ou deitado sem conseguir dormir em paz. Mas como um dia foi dito, a demolição não se resume em destruir, mas sim salvar tudo que for possível. Sei que pra você nossos sonhos não andam mais de mãos dadas, mas eu tive um tempo que estive em suas mãos e por mais que houve palavras rudes, também houve os carinhos mais sinceros que um ser humano pode dar.

Hoje terá mais uma noite nessa cidade, estou tentando encontrar algum lugar onde eu possa me libertar, mas essa cidade é muito fria sem você por perto. Não existe graça nas brincadeiras e os palhaços saíram do palco, pois não foram aplaudidos pelas estrelas. São as mesmas estrelas que estiveram lá enquanto nos abraçávamos no parque e nos beijávamos debaixo de um lençol. Vidas unificadas, tão próximas e tão sinceras.

Hoje eu sei que meu sentimento está em um cárcere privado. Perco esperanças, mas sei que meu egoísmo não pode ser o algoz de nossa vontade. Não adiantará forçar algo perdido. Estou olhando para baixo e por fim perdendo o medo de cair, procurando o lugar onde devo começar a andar.
Como da ultima vez estou hipotecando essa casa velha, mas contra minha vontade, porém não posso te privar do direito de ser livre e feliz. Eu fiz de tudo para dar essa felicidade, fiz o melhor que consegui, sei que não fui o melhor, sei que já não conseguia faz seus olhos brilharem como no começo, sei que não consegui conquistar todos os dias, mas tudo que tentei foi de coração, foi de alma, de alguém que te ama de verdade.

Obrigado por me proporcionar a vida que eu já não sentia há muito tempo. Deixá-la morrer, é perder um pedaço de mim, mas a vida é feito de perdas e memórias... Então que seja assim.
e mim, mas a vida é feito de perdas e memórias... Então que seja assim.




sábado, 18 de abril de 2015

O amor lhe cospe na sargeta.



E então, no final, depois do último trago de bebida, sobra o destino singular de viver só. Nada nessa vida dura para sempre, quem acredita nesse tipo de coisa no mínimo o tipo de pessoa que acreditou em papai noel até os oito anos.
Primeiro nasce as carícias, as palavras bonitas, as conversas de madrugada, um sentimento esplêndido que brota e a felicidade constante associada a vontade de encontros. Passa o tempo, o corpo já se conhece suficientemente bem, as veias  já se cruzaram e os toques não são tão quentes como já foram no começo.  Logo, como um truque de Copperfield, tudo vai desmoronando. Exigimos sempre do outro(a) que seja como da primeira vez, mas a primeira vez já acabou, nos resta o gosto amargo do fim de um belo começo, que até então, pensávamos que era para sempre.

Aqueles que resistem ao tempo, em sua maioria, viverá infeliz, mas satisfeito com seu sentimento de posse; com sua segurança de poder entrelaçar os dedos em quem, no seu consentimento, é a pessoa certa.
Obviamente existirá exceções que duram para sempre, eu gostaria muito, antes de eu visitar o inferno pela primeira vez, ser uma exceção para você.

sábado, 4 de abril de 2015

O bar mais solitário da cidade


E então procuro meu lugar, meio deslocado, meu pragmático. Sigo um caminho, tentando encontrar uma reta ao meio de tantas curvas. Paro em um bar, a música está tocando, não é boa mas é a única que tem. Pessoas descartáveis na minha frente, de um lado um cidadão catalogando quantas garotas ele já levou para cama no último mês, em minha frente uma dupla de casais bem típicos, que quando as mulheres levantavam para ir ao banheiro, os homens ficavam se contorcendo de ciúmes, devido aos vestidos curtos, que na verdade, nem são tão curtos assim, mas para eles era uma questão de vida ou morte.

Entre um trago e outro, observando a impureza e futilidade de todos, é que me lembro de tudo que deixei para trás. É difícil lapidar uma pérola, é delicado demais para minhas mãos desastrosas e por isso a perdi.
Enquanto as pessoas alimentam suas certezas ao meu redor, eu adubo minhas dúvida e me afogo feito um alcoólatra . Mas em caso de dúvidas, sigo em frente, a tormenta é relevante, pingo por pingo enche um oceano, do qual nadamos sozinhos. A correnteza é amarga e não existe remédios ou antídotos que nos cure desse marasmo.

Essa noite eu fui no lugar que frequentamos por muitas noites. Foi uma tentativa de suicídio eu sei. Mas preferi ir sozinho, ficar olhando o lugar em que costumávamos sentar e ao redor daquele acento, estava esse monte de gente, tão banais, tão diferente de seu sorriso, de nossas ideias. Pensávamos em conquistar o mundo, mas agora o que resta é me salvar, pois já não tenho notícias de você.



quinta-feira, 2 de abril de 2015

Um dia para ser esquecido



E então me pego deitado na cama, com o telefone largado ao lado da orelha. Meus olhos estão borbotando para os lados, hoje eu sei que a noite vai ser diferente da de ontem, eu sei não vai ser fácil. Uma explosão está ocorrendo em minhas vísceras, mas dessa vez é diferente, não sei explicar bem como, mas é diferente de todas as outras vezes.
 Sei que fiz tudo que estava ao meu alcance para tentar salvar o que não se pode privar, utopia de longa data. Se tem algo que aprendi nessa vida é que nada é para sempre e eu já estou me conformando em ficar pra sempre comigo mesmo, pois sou o único que poderei garantir a minha própria integridade e conservar meu espírito, antes que os demônios o carregam para o inferno mais próximo daqui.

Essa cidade está cheia de pessoas com sonhos lindos, eu incentivo vocês buscarem todos eles, mostrem para que vieram, mas não deixe que nada mais atrapalhe o seu caminho.  E se você é um empecilho do sonho duradouro de alguém, saia do caminho, você não tem o direito de usurpar um lugar na história que não lhe pertence.

Mas não se preocupe, em baixo desses prédios cinzas, você encontrará o seu lugar. Seja dentro de um bar  denso e escuro, tomando uma dose de uísque, seja alimentando os pombos na praça, ou até mesmo sendo hospede de um bordel. Onde seu coração recomeçar a bater depois de uma grande névoa, é porque seu lugar estará por lá. Seja junto à um milhão de pessoas, ou simplesmente dentro de uma cabana no meio do nada.

Amanhã eu não terei com quem falar dos livros, nem dos filmes, nem do dia, nem da noite. Eu sei, é difícil se acostumar, o tempo salva mas também destrói.

 Bem - vindo de volta.



domingo, 29 de março de 2015

O céu que pertence aos pássaros afônicos


O tempo vai passando e mostrando para nós algumas verdades enferrujadas que nunca foram ditas, verdades que ficarão marcadas nas cicatrizes da vida. As vezes tenho vontade de voltar no tempo e pedir desculpas para algumas pessoas, mas agora não há mais tempo. O tempo que nos resta abafará as angústias e nos levará para novos caminhos, novas montanhas, novos prédios ou penhascos; pois na vida temos poucas chances de fazer as coisas certas e muitas de fazer as coisas erradas; eu acho que errei demais, agora tenho que conviver com esses erros e as vezes fechar os olhos e fingir que eles não existirão.

Se a vida continua, nos fazer acordar com esperança renovada todos os dias, mas nem sempre percebo o brilho de seus olhos, que reacendia minha chama todos os dias. Acho que os olhos não brilham mais como antes, nossa música não canta tão alta como antes. Parece que está tudo normal, mas  é exatamente isso que afoga nossas esperanças, uma inércia do qual não consigo explicar ou compreender.

Ainda estou acordando todos os dias, com a esperança de que a vida voltará ter o mesmo sentido para nós, mas meu pessimismo sempre falou mais alto e interrompe todo o zelo que eu poderia ter. Sinto que existe uma procura de novos ares, novas metas, novos lugares, onde não haverá as velhas rachaduras da qual você já deve estar cansada de ver. O céu está limpo e por mais que os pássaros não cantem mais nossa canção favorita, eu vou entender se você simplesmente quiser ser feliz de verdade.




segunda-feira, 23 de março de 2015

Baldes de tinta na escuridão

Estamos bem aqui. Mais um planeta em uma galáxia rodeada de estrelas e contendo pessoas por todos os lados. Podemos escutar de tudo ao meio das paredes que cercam essa cidade, são quase sete bilhões de desejos incontidos, de anseios mal resolvidos, todos reais como pólvora e rosas vermelhas. Podemos ouvir os corações apaixonados palpitando, ouvir as mais belas gargalhadas que surgem ao redor de um grupo de jovens; podemos ver a afeição feliz do garoto inibido que escuta sua música favorita;  Contar as estrelas e encontrar aquelas que mais fazem lembrar as pessoas que amamos. Esse enfeite gratuito está sobre nossas cabeças todas as noites, mas o cotidiano acaba por si só fazendo com que as pessoas se acostumem, e o espetáculo gratuito perde a graça como um palhaço triste, o brilho mais belo dos céus é derrotado pela sua cisma contínua de sempre querer brilhar.


Os tempos difíceis existem para todos, a notícia que insurge o ódio. A guerra de almas, ideologias conflitantes sugerem agora mais uma mudança, antes que seja tarde, só mais uma tentativa de salvar o que já se perdeu através dos anos, a velha matéria do jornal vira manchete mais uma vez. Eu não estou sozinho aqui, por mais que as vezes a escuridão paire os olhos, posso escutar todos os corações palpitantes. Eu posso escutar o seu coração palpitar perto de mim... Aquela velha música ainda faz abalar o mundo inteiro, refrões rasgam os ouvidos e me fazem lembrar de seus abraços. 

As habilidades se perdem conforme o tempo. Uma regressão pessoal, as coisas parecem ficar pequenas demais. É como andar por uma viela de sonhos perdidos, você tenta encontrar o seu, você tenta resgatar um talento que você nunca teve, incontinente.  Mas mesmo que não escutemos as palavras que gostávamos de ouvir, procuramos achar no brilho dos olhos e os motivos que nos fizeram estar aqui. São todos os motivos que nos enchem de vida e que nos mantém de pé.

Amanhã o céu vai colorir os prédios. O dia vai se repetir para muitas pessoas novamente, mas você poderá deixar esse enxame de angústias contidas dentro de um bueiro e começar um novo final, para uma velha história.