domingo, 24 de maio de 2015



E então chegou em casa e olhou para o céu antes de entrar, a lua estava cheia mas sua vida já não tinha muito sentido. Se jogou na cama e apagou em sua embriaguez. Rasgou o sono pois teve um pesadelo - Ficou estático por alguns instantes olhando para o teto- Imaginando se aquilo poderia ser real e estivesse acontecendo naquele exato momento. Que sensação horrível domava seu corpo. Com muito custo, voltou a dormir. E o pesadelo cretino teve sua continuação e um final mais triste era impossível, mas inevitável. Acordou acabado, sem vida, mas  apenas vivo... tomou uma dose de café e uma sensação de espasmo atracava-lhe o peito. Nunca se sentiu tão estranho como naquela manhã. Olhou para a janela e pensou consigo mesmo quando aqueles tempos ruins chegariam ao seu fim.


A vida consumia a gente, consumia mesmo. Amanhã seria um dia melhor, é o que sempre diziam.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Um copo meio vazio

Eu estava lá, em um canto escuro, apreciando uma boa dose de uísque e observando a arquitetura daquele lugar. Tinha bandeiras de todos os países, generais por todos os cantos, o ar bélico em formato de bar impressionava. Enquanto observava o recinto tentava automaticamente achar uma válvula de escape para mim, ou uma resposta para todas as minhas perguntas, até mesmo para aquelas que ainda não fiz. Ao redor tinha muita gente, era um sábado, as pessoas normalmente saem de suas tocas e do aconchego de sua rotina para se divertirem. Mesmo assim sentia que aquele lugar estava solitário. Às vezes a maioria não representa nada e naquele momento era literalmente o caso.

Na mesa ao lado havia um casal, estava nítido que aquele era o primeiro encontro. Um homem com boa aparência contemplava uma mulher que tinha um rostos lindo e um sorriso esplêndido que iluminava aquele lugar escuro e sombrio. Perto dali estava eu, um zero ao meio e sem significância alguma para qualquer vida naquele lugar. Não delongou muito, depois de algumas bebericadas os dois foram se aproximando, logo carícias e um tom romântico resplandeceu nas dependências daquele lugar. Beijos lentos, discretos e molhados começaram a surgir no mais absoluto alvoroço das pessoas ao redor. Era bonito de se ver. Acho que foi a primeira vez que senti inveja. Não era exatamente por não estar no lugar dele, mas era por eu estar em silêncio, junto a mim mesmo, isso era devastador e as paredes sabiam disso e tentavam me fazer companhia.

Apesar de sinuosa visão eu também não estava tão só assim, tinha mais um monte de derrotados bebendo ao meu lado, todos com feições sorumbáticas em seus rotos e alguns até mesmo estavam lustrando bombas e ninguém ali se importava com isso. Eles esperavam desesperadamente para que entrasse uma mulher por aquela porta e salvasse de uma vez por todas vossas malditas noites angustiadas, para quem sabe, depois de alguns dias, fossem lançados de volta ao mesmo abismo em que se encontravam, ao mesmo bar, a mesma bebida e a mesma sensação de derrota complacente de um indivíduo solitário.

Depois de alguns instantes de ouço vozes alteradas atrás de mim, era outro casal, estavam discutindo. Não entendi muito bem, mas notei que tinha algo haver com dinheiro. As ofensas aumentavam e chamavam atenção de todos os presentes. Creio que somente eu percebi que era o oposto do casal ao meu lado, que parecia nem ligar para o palavreado inoportuno da mesa ao lado, continuavam agarrados, conversando baixinho e com olhos cintilantes um para o outro, como se estivessem completamente sozinhos. Ali existia um começo e atrás de mim um fim. Essa é uma vida ordinária. Dessa vez ao menos eu não fazia papel de protagonista ou vilão e ficava feliz por isso, ali eu era um mero telespectador com o copo meio vazio que observava a continuidade natural das coisas, mas sem conseguir ajudar ninguém, muito menos salvar eu mesmo do delírio que sentia.






Pagou a conta e cambaleou até o carro com o copo em mãos, foi vagarosamente dirigindo até sua casa. Encontrou sua cama, se jogou e depois de muito tempo pegou no sono e adormeceu. Depois de muitas tentativas e noites se dormir a derrota da noite anterior lhe trouxe a paz, pois finalmente percebeu que já não tinha mais nada que pudesse fazer.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Uma noite sem sonhos

Só mais uma noite, e essa cidade grande e vazia, por dentro, se torna um labirinto de ambulantes desconhecidos. Agora de uma música que nem toca mais no meu rádio. Ele está quebrado. O espelho reflete o eu sozinho, sem ninguém, sem você. O Culto à própria personalidade fracassa novamente. Uma voz que me diz que para sobreviver é preciso se esconder. O teto está prestes a cair e o cinzeiro cheiro mostra os sinais letais de toda a dor. Alguns remédios são necessários. A propaganda diz que te salva, eles tomam suas últimas moedas e saem dançando e comemorando seus vícios, procurando outros corações despedaçados para lucrar.


E então agora eu posso admitir ter sido um exagero, desespero eu sei. Tentei interpretar de várias maneiras e agora deixo meu corpo à deriva, evitando a tragédia circular, a procura de um recanto e procurando por fim, a felicidade incondicional, de viver sozinho, sem ti, pra sempre.




segunda-feira, 20 de abril de 2015

Paixões, virtudes incondicionais e o cinzeiro cheio


Para Kim,
Que um dia me proporcionou;
E por fim me privou.

Mais um dia, mais um segundo; Levantando cedo, quase sem dormir; Tento fazer todas as coisas, como se tudo estivesse no mesmo lugar. Preparar, apontar... Mas o cinzeiro cheio é sinônimo de dor.

Eu sei que a solução é ficar de pé e não olhar pra trás, lhe deixar em paz, seguir o tempo, acompanhar deterioração de um sentimento, com as luzes do quarto acesa até tarde, ou deitado sem conseguir dormir em paz. Mas como um dia foi dito, a demolição não se resume em destruir, mas sim salvar tudo que for possível. Sei que pra você nossos sonhos não andam mais de mãos dadas, mas eu tive um tempo que estive em suas mãos e por mais que houve palavras rudes, também houve os carinhos mais sinceros que um ser humano pode dar.

Hoje terá mais uma noite nessa cidade, estou tentando encontrar algum lugar onde eu possa me libertar, mas essa cidade é muito fria sem você por perto. Não existe graça nas brincadeiras e os palhaços saíram do palco, pois não foram aplaudidos pelas estrelas. São as mesmas estrelas que estiveram lá enquanto nos abraçávamos no parque e nos beijávamos debaixo de um lençol. Vidas unificadas, tão próximas e tão sinceras.

Hoje eu sei que meu sentimento está em um cárcere privado. Perco esperanças, mas sei que meu egoísmo não pode ser o algoz de nossa vontade. Não adiantará forçar algo perdido. Estou olhando para baixo e por fim perdendo o medo de cair, procurando o lugar onde devo começar a andar.
Como da ultima vez estou hipotecando essa casa velha, mas contra minha vontade, porém não posso te privar do direito de ser livre e feliz. Eu fiz de tudo para dar essa felicidade, fiz o melhor que consegui, sei que não fui o melhor, sei que já não conseguia faz seus olhos brilharem como no começo, sei que não consegui conquistar todos os dias, mas tudo que tentei foi de coração, foi de alma, de alguém que te ama de verdade.

Obrigado por me proporcionar a vida que eu já não sentia há muito tempo. Deixá-la morrer, é perder um pedaço de mim, mas a vida é feito de perdas e memórias... Então que seja assim.
e mim, mas a vida é feito de perdas e memórias... Então que seja assim.




sábado, 18 de abril de 2015

O amor lhe cospe na sargeta.



E então, no final, depois do último trago de bebida, sobra o destino singular de viver só. Nada nessa vida dura para sempre, quem acredita nesse tipo de coisa no mínimo o tipo de pessoa que acreditou em papai noel até os oito anos.
Primeiro nasce as carícias, as palavras bonitas, as conversas de madrugada, um sentimento esplêndido que brota e a felicidade constante associada a vontade de encontros. Passa o tempo, o corpo já se conhece suficientemente bem, as veias  já se cruzaram e os toques não são tão quentes como já foram no começo.  Logo, como um truque de Copperfield, tudo vai desmoronando. Exigimos sempre do outro(a) que seja como da primeira vez, mas a primeira vez já acabou, nos resta o gosto amargo do fim de um belo começo, que até então, pensávamos que era para sempre.

Aqueles que resistem ao tempo, em sua maioria, viverá infeliz, mas satisfeito com seu sentimento de posse; com sua segurança de poder entrelaçar os dedos em quem, no seu consentimento, é a pessoa certa.
Obviamente existirá exceções que duram para sempre, eu gostaria muito, antes de eu visitar o inferno pela primeira vez, ser uma exceção para você.

sábado, 4 de abril de 2015

O bar mais solitário da cidade


E então procuro meu lugar, meio deslocado, meu pragmático. Sigo um caminho, tentando encontrar uma reta ao meio de tantas curvas. Paro em um bar, a música está tocando, não é boa mas é a única que tem. Pessoas descartáveis na minha frente, de um lado um cidadão catalogando quantas garotas ele já levou para cama no último mês, em minha frente uma dupla de casais bem típicos, que quando as mulheres levantavam para ir ao banheiro, os homens ficavam se contorcendo de ciúmes, devido aos vestidos curtos, que na verdade, nem são tão curtos assim, mas para eles era uma questão de vida ou morte.

Entre um trago e outro, observando a impureza e futilidade de todos, é que me lembro de tudo que deixei para trás. É difícil lapidar uma pérola, é delicado demais para minhas mãos desastrosas e por isso a perdi.
Enquanto as pessoas alimentam suas certezas ao meu redor, eu adubo minhas dúvida e me afogo feito um alcoólatra . Mas em caso de dúvidas, sigo em frente, a tormenta é relevante, pingo por pingo enche um oceano, do qual nadamos sozinhos. A correnteza é amarga e não existe remédios ou antídotos que nos cure desse marasmo.

Essa noite eu fui no lugar que frequentamos por muitas noites. Foi uma tentativa de suicídio eu sei. Mas preferi ir sozinho, ficar olhando o lugar em que costumávamos sentar e ao redor daquele acento, estava esse monte de gente, tão banais, tão diferente de seu sorriso, de nossas ideias. Pensávamos em conquistar o mundo, mas agora o que resta é me salvar, pois já não tenho notícias de você.



quinta-feira, 2 de abril de 2015

Um dia para ser esquecido



E então me pego deitado na cama, com o telefone largado ao lado da orelha. Meus olhos estão borbotando para os lados, hoje eu sei que a noite vai ser diferente da de ontem, eu sei não vai ser fácil. Uma explosão está ocorrendo em minhas vísceras, mas dessa vez é diferente, não sei explicar bem como, mas é diferente de todas as outras vezes.
 Sei que fiz tudo que estava ao meu alcance para tentar salvar o que não se pode privar, utopia de longa data. Se tem algo que aprendi nessa vida é que nada é para sempre e eu já estou me conformando em ficar pra sempre comigo mesmo, pois sou o único que poderei garantir a minha própria integridade e conservar meu espírito, antes que os demônios o carregam para o inferno mais próximo daqui.

Essa cidade está cheia de pessoas com sonhos lindos, eu incentivo vocês buscarem todos eles, mostrem para que vieram, mas não deixe que nada mais atrapalhe o seu caminho.  E se você é um empecilho do sonho duradouro de alguém, saia do caminho, você não tem o direito de usurpar um lugar na história que não lhe pertence.

Mas não se preocupe, em baixo desses prédios cinzas, você encontrará o seu lugar. Seja dentro de um bar  denso e escuro, tomando uma dose de uísque, seja alimentando os pombos na praça, ou até mesmo sendo hospede de um bordel. Onde seu coração recomeçar a bater depois de uma grande névoa, é porque seu lugar estará por lá. Seja junto à um milhão de pessoas, ou simplesmente dentro de uma cabana no meio do nada.

Amanhã eu não terei com quem falar dos livros, nem dos filmes, nem do dia, nem da noite. Eu sei, é difícil se acostumar, o tempo salva mas também destrói.

 Bem - vindo de volta.